É, ando cheia de inventar moda por aí, e não moda de moda, mas enfim... Estou há quase 3 anos na faculdade e como nunca pensei nisso? Hoje decidi fazer algo diferente... ALOCA! Com mudanças no blog, agora com seções novas e tudo mais, por que não uma? A seção se chamará "Theory" (Teoria), onde tratarei da Moda de forma mais teórica, coisa que sou apaixonada e não sei como não pensei nisso antes... Na verdade, já pensei e jpa escrevi uns bons textos longos sobre pensamentos meus por aqui, mas não com uma seção destinada, exclusivamente, a isso.
Vocês poderão conferir alguns trabalhos meus para faculdade, pesquisas que eu faço por fora, alguns tipos de análises de tendências - coisa que amo e nem preciso comentar pra quem acompanha o blog nesses, quase, 3 anos - e por aí vai.. Já aviso desde já que é uma seção pra quem gosta de ler e as imagens não serão prioridade por aqui como já foi nesse decorrer do blog.
Para estrear, tive um trabalho da matéria de Teoria da Moda III onde tivemos que escolher um designer que tivesse trabalhos com características pós-modernistas e argumentar o porquê de acharmos isso, se ele foi durante toda a carreira ou se foi somente uma coleção. E eu escolhi o Moschino.
Pós-Modernismo é o nome aplicado às mudanças ocorridas nas ciências, nas artes e nas sociedades avançadas desde, aproximadamente, a década de 50, quando, por convenção, se encerrou o modernismo (1900-1950). Surgiu como a desconstrução de conceitos realistas e rígidos impostos à sociedade Moderna. Seu conceito é vago, porém é caracterizado por uma sociedade culturalmente híbrida, fragmentada, multifacetada, assim como adepta a paródias sobre qualquer que seja o assunto tratado. Podemos citar como característica do movimento acontecimentos em vários setores como pensamentos e estilo de vida, mas em contraponto, sua principal característica é não possuir uma própria.
O estilista e a marca pós-moderna escolhida para ser estudado foi o italiano Franco Moschino (1950-1994). Nascido em Milão, centro da moda europeia, ingressou no mundo das artes estudando na Academia delle Belle Arti, em Milão, com o objetivo de se tornar pintor. Para conseguir manter-se na faculdade de artes, começou a fazer desenhos e vendê-los para confecções locais, arrecadando fundos e, assim, aos poucos, inseriu-se no mundo da moda. Em 1971, começou a trabalhar como desenhista com Giane Versace e trabalhou como estilista por seis anos, até se tornar estilista da marca italiana Cadette, em 1977. Em 1983, fundou sua própria marca: Moschino.
A combinação de paródias, efeitos e corte clássico de Moschino firmou-se com a moda obcecada da década de 80. O estilista fazia das roupas sua forma de expressão e crítica sobre a indústria da moda como camisetas com os dizeres “This is a Very Expensive Shirt”¹ e “Ready to Where¿”². Acreditava que as roupas deveriam ser como uma tela para projetar o espírito de cada um e que todos precisam de amor, simplicidade e ternura. Por suas particularidades era conhecido como o “bobo da dorte da alta costura” dividindo o posto com Jean Paul Gaultier. Com o lema de nunca levar a moda tão a sério, podemos caracterizar o estilista como Pós-Moderno.
Pouco antes de sua morte trágica, aos 44 anos, no auge de sua carreira profissional, o estilista discute o futuro de sua marca com sua assistente e braço direito desde o começo da empresa, Rossela Jardini. Após sua morte, é Rossela quem assume o cargo de estilista da marca e, atualmente, mantém seu trabalho com foco na marca, inspirando-se, sobretudo, no fundador da empresa. Podemos caracterizar a marca Moschino, através de sua história, como pós-modernista, principalmente constituir uma paródia à paródia, produzir roupas excêntricas e cheias de humor.
Suas duas últimas coleções, por exemplo, têm elementos western³ com um olhar contemporâneo de uma cowgirl-chic e, em contraste às formas rústicas e masculinizadas do Velho Oeste, temos a feminilidade lady like e um quê de futurismo da década de 60. Mais especificamente, na coleção de Inverno 2013, a última apresentada pela marca, teve influência de bonequinhos de chumbo, que junto com as diferentes referências visuais anteriormente citadas, ganha uma reformulação pós-moderna do clássico e eternizado brinquedo e acréscimo de elementos militares na modelagem e com toques de dourado. As cores são principalmente o preto, branco e vermelho - cores identitárias da marca - junto com azul cobalto e amarelo. Uma coleção sem estampas garante o excesso, personalidade da marca, com recortes, dresscoats, matelassê, capas, plissados, shapes ora largos ora com cintura marcada e bordados. O contraste entre o masculino e o feminino é evidente e o que é contrastante se transforma em uma hibridização de estilos com a adição de diferentes formas, texturas e contemporaneidade.
A campanha do Verão 2012 da marca, com roupas de inspiração espanhola como a coleção da estação, mais especificamente com uma estética de toureiros, são fotografadas em Roma, e foge da representação estética italiana. E não só de desfiles e campanhas que suportam uma marca. Elementos pós-modernistas se encontram em vitrines das lojas como, por exemplo, uma vitrine sem roupas preenchida por um quadro enorme parodizando a obra de René Magritte “Ceci n’est pas une pipe”, do ano de 1929, com escritos “Ceci n’est pas une boutique, preenchido por uma fotografia de manequins nus. Ao longo da sua história, a marca conta com representações estilísticas apresentadas através de elementos estéticos distintos e opostos, porém, em suas coleções, alcança a harmonia estética preponderante ao universo da moda em geral.
Mesmo depois da morte do fundador da empresa, sua marca mantém a característica com harmonia, conceito e muito bom humor nas mãos da atual e fiel estilista que está por trás de segundas linhas da marca como Moschino Cheap and Chic, uma linha mais irreverente e acessível direcionada ao público jovem com o conceito de grife em adquirir um produto com preço mais acessível e chique, com qualidade acima de tudo, e a linha Love Moschino, antes Moschino Jeans. Sem esquecer da linha de perfumes da marca, que tornou-se responsável pelo maior faturamento da empresa. Atualmente, a marca faz parte do grupo italiano Aeffe (que também administra marcas como Jeans Paul Gaultier, Alberta Ferretti e Narciso Rodriguez) desde o ano de 1999.
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¹ Tradução livre para o português: “Essa é uma camiseta muito cara”.
² Paródia de “Ready-to-Wear”.
³ Exemplo também abordado pelo autor James Jamerson estudado em sala de aula.
Enfim, essa é uma seção para os que sentem falta de teoria de moda, n geral, em blogs e sites. Espero que gostem!
Bejasso!













